sábado, 27 de março de 2010

O Problema é: Quando entrar na Universidade tudo muda ...

Como aluno e universidade devem se articular para superar o processo de transição e adaptação pós-vestibular?


         
Os alunos de diversas escolas de ensino médio normal, ou seja, não profissionalizantes, tem como principal objetivo desde a sua saída dos cursos fundamentais, a aprovação nos exames de vestibular, que é, naturalmente, o único ingresso para as universidades.

          Existe por trás desse cenário toda uma cultura que impulsiona as metas de ensino e aprendizagem para esse fim exclusivo, motivando assim a criação de um mercado consumidor, haja vista a necessidade da aquisição de um status, principalmente na classe média, que indica o orgulho de alguns pais de terem um filho na faculdade.

          Assim, esse mercado compeliu à criação de colégios e cursos que se dizem especialistas na preparação do aluno para entrar na universidade, trazendo inclusive, garantias enganosas de um ingresso certo e um futuro promissor.

          Tais cursos, por assim dizer, montaram uma estrutura de escola-empresa, onde o aluno é o seu “cliente” e alvo dos lucros e crescimento desta empresa. Por isso mesmo, criam estratégias de marketing para atrair novos consumidores e divulgam que sua qualidade que está condicionada ao número de aprovados nesses exames.

          Desta forma adotaram uma metodologia de adestramento e “bizus”, ensinando o que chamamos de “jogo de cintura” para que o aluno possa responder as questões propostas pelo teste utilizando inúmeros artifícios, enquanto que a essência do ensino fica para segundo plano.

          É muito comum vermos candidatos às universidades com fórmulas decoradas, regras mnemônicas e “chutes” calculados, prontos para responderem qualquer questão dessa avaliação, mas se forem expostos a alguns quesitos que sejam necessários maior raciocínio, ou pôr a prova sua destreza: veremos que os resultados serão desastrosos.

          Infelizmente, é isso que acontece quando ingressam na universidade, cuja metodologia gira em torno de ensino, extensão e pesquisa, ou seja, o uso real e efetivo do pensamento e da razão, que deveria levar os graduandos a formarem conhecimentos próprios.

          Segundo Pedro Demo, uma boa parte dos universitários que ingressam nas universidades se encontra completamente despreparados, muitos deles não sabem sequer se a escolha do curso foi realmente acertada, se graduação atenderia efetivamente às suas expectativas.

          Todos esses fatos geram uma verdadeira desilusão, em virtude da decepção do vislumbre utópico de um sonho irreal que a universidade seria o paraíso do saber na Terra. O que causa em muitos desmotivação, desinteresse e evasão das salas de aulas do ensino superior, principalmente nos cursos de ciências exatas.

          Desta maneira o presente projeto, objetiva sugerir uma solução efetiva ao problema, visto que este processo de inserção e adaptação deve ser bem conduzidos por ambos os lados, aluno e universidade, pois se houver falha neste sentido poderá trazer grandes prejuízos e sérias conseqüências na formação profissional do educando, transformando-o desta forma, em um profissional incompetente, medíocre ou um individuo dissociável.

          Tanto o aluno quanto a universidade não poderão desvincular-se desse processo, que é de extrema necessidade para o desenvolvimento acadêmico do graduando.

          A universidade, porque é a sua obrigação garantir uma formação de qualidade no ensino superior e o graduando porque o seu objetivo é se formar, transformando-se em um profissional de alta performance.

          Sugere-se então que as universidades criem uma estratégia pedagógica e inclusiva dotada de um bom planejamento com atividades diversificadas e direcionadas ao futuro acadêmico do graduando, procurando, inclusive, ter vistas ao seu aprimoramento e o desenvolvimento das capacidades e competências, elevando assim o nível de ensino e aprendizagem o que será de aproveitamento geral.

          Faz-se necessário um diagnóstico das necessidades prementes do aluno: perfazendo um desenho do cenário atual com levantamento dos pontos fortes e franquezas dos quais estes são portadores.

          Com base nesses dados, criar um plano de inclusão e nivelamento intelectual, com a finalidade de homogeneizar os padrões dos alunos, o que facilitaria a atuação do corpo docente neste processo.

          A implementação desse plano deve ser gradual, ostensiva e efetiva; e no final uma avaliação de resultados cujos dados estáticos poderão nortear a melhoria das técnicas e procedimentos pedagógicos utilizados no decorrer do programa.

          Não devemos esquecer que este processo deverá ser cíclico e permanente com avaliações constantes e correções quando se fizerem necessárias.

          Os métodos e técnicas adotados serão as observações, pesquisas na literatura e portais da Internet relacionados ao assunto e nas entrevistas individuais numa amostragem de alunos aprovados no vestibular de uma determinada escola.



Marcos Aurelio