sábado, 31 de julho de 2010

LEITURA E ESCRITA: Alguns Aspectos Históricos



         
          Como sabemos a história como ciência é dividida em duas partes: a pré-história e a história da humanidade, o marco decisivo dessa divisão reside exatamente no aparecimento da escrita a mais ou menos quatro mil anos antes de cristo, pois a história como ciência só pode ser versada através de provas documentais de registros palpáveis e irrefutáveis portadores de informações necessárias de maneira a compor, analisar e construir os acontecimentos de uma determinada época, e o que esses acontecimentos refletirão na vida futura de um povo.

         Inúmeros casos mostram a possibilidade de um determinado episódio que no passado tenha sido considerado de pouca importância, se transformar em fator de peso nos acontecimentos vultosos do futuro.



          Quem poderia imaginar, por exemplo, que o banho de tina de Arquimedes no século III a.C., fosse o arremesso inicial que formulou o postulado da grandeza física dos princípios da hidrostática, o empuxo arquimediano: responsável por cálculos que possibilitam o fato de um navio de várias toneladas flutuar no oceano, ou mesmo, que o referida ocorrência tenha sido o primeiro caso registrado, conhecido e desvendado da Ciência Forense: onde Arquimedes provou que a coroa encomendada pelo rei Hierão de Siracusa estaria com sua estrutura química adulterada?

           




  
          Todos esses feitos tinham suas transcrições nas tecnologias disponíveis em suas épocas: narrativas, litografia, gravuras rupestres, pergaminhos, papiros, etc. que até hoje serve como base cientifica na estruturação e formulação da história da humanidade tal qual nós a conhecemos.

         No entanto, não se sabe ao certo onde e como iniciou o processo da leitura e da escrita, o que se sabe é que desde o tempo em que os homens ainda habitavam as cavernas já existia uma necessidade da transmitir informações daquilo que eles consideravam importante, seja para os membros de uma determinada coletividade como também para os estrangeiros, pacíficos ou não: aviso de perigo ou de lugares perigosos; marcar território ou restringir o acesso a determinadas áreas com o uso de penduricalhos em estacas de madeira; adornos informativos de líderes religiosos, políticos ou militares; acontecimentos da vida comum dos agrupamentos; feitos heróicos de caçadas e batalhas, e assim por diante.


          A maior prova disso reside nos desenhos e pinturas arqueológicas, os petróglifos, achados em diversas partes do planeta, onde mostra claramente o instinto peculiar do homem em propagar suas manifestações cognitivas através de símbolos, que, mesmo distantes geograficamente, em diferentes culturas, povos e raças, esses traçados tinham os mesmos objetivos, semelhanças estruturais pictográficas e litográficas, sem que tivesse a possibilidade de repasse desses conhecimentos entre eles.

         Mas, qual o motivo desse comportamento? Por que um determinado indivíduo pegou tintas e rabiscou estes desenhos ou talhos em rochas? Qual a sua intenção? Qual a importância pessoal atribuída para aquela atitude?

A resposta é simples: “o homem tem como diferença essencial dos outros animais a característica única de transmitir aos seus sucessores todo ou parte dos seus conhecimentos e experiências adquiridas durante sua existência”.

          Ou seja, alem do comportamento de observar e planejar, o ser humano é capaz de repassar e assimilar os aprendizados cotidianos, desde que haja interesse ou necessidade para tal.

 

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          Outra característica humana é a adaptação as diversas condições ambientais, favoráveis ou não, o qual ele está submetido. Tais condições geram necessidades e conforme diz o dito popular: “a necessidade é a mãe da invenção”, ou seja, a satisfação das exigências vitais, como alimento, abrigo, agasalho, etc. obrigam o ser humano a procurar e processar materiais e ferramentas no intuito de facilitar seus trabalhos num processo criativo e dinâmico de forma a suprir as premências que se apresentam.

          Desta forma se juntar essas duas características: a inventividade e o instinto natural de transmitir de informações, teremos a maneira adquirida por meio de traços, sinais, caracteres ou símbolos um modo capaz de registrar os frutos das vivências, observações e habilidades desenvolvidas de forma perceptiva para que se possa decifrar e interpretar o sentido do que se apresenta, ou seja, realizar uma leitura.

           Com o desenvolvimento intelectual do ser humano as formas da leitura tornaram-se mais sofisticadas e esses sinais começaram a ter uma representação uniforme e mais abrangente até que surgiu a escrita coordenada.

Pedra de Roseta - Hieróglifos
         Segundo os historiadores a origem da escrita como forma efetiva de comunicação e registro, ocorreu por volta de 3200 a.C., com os povos sumerianos que habitavam a região da mesopotâmia. Eles desenvolveram a escrita cuneiforme, isto é, os caracteres gráficos tinham o formato de figuras cônicas. Em seguida os egípcios criaram os hieróglifos: sinais sagrados; e posteriormente, ainda no antigo Egito, a escrita hierática: escritos sacerdotais e demóticos.

       

          Para esses povos as razões principais que motivaram o aparecimento e o desenvolvimento da escrita foram às necessidades de se contabilizar produtos comercializados, cálculos geométricos de estruturas, registros de cultos e rituais sagrados, homenagens as personalidades e líderes religiosos e políticos, resguardar códigos de leis e costumes de um povo.

        O código de Hamurabi (1738 a.C.), por exemplo, é um dos mais antigos e importantes documentos escritos da história da humanidade, seu conteúdo regia o comportamento social de uma nação, traçando leis e punições aos infratores e que serve de base para muitos sistemas legais modernos.

         



         A Torá, que significa instrução, apontamento ou lei, é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah: as cinco partes da Torá) ou o Pentateuco, que fazem parte dos textos fundamentais do judaísmo. Neles está contida a primeira teoria da criação do mundo e do universo; a origem do homem e o crescimento da humanidade, a narrativa sobre o dilúvio e a nova repovoação da terra; o pacto de Deus com Abraão e seus filhos, a origem do povo árabe; a libertação dos filhos de Israel do Egito e sua peregrinação de quarenta anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e leis morais e civis que teriam sido dadas a Moisés para que entregasse e ensinasse ao povo Hebreu, e ainda hoje é aceita na maioria das religiões de origem cristã. Portanto, compreende outro importante documento do patrimônio mundial.




       O aparecimento da escrita foi um acontecimento tão importante para o mundo, que o registro e a compreensão dos fatos registrados com base cientifica concreta deram origem a uma nova ciência: a História, e é por causa da “invenção” da escrita que a história é dividida em duas partes: antes da escrita - a pré-história e depois do aparecimento da escrita – a história da humanidade propriamente dita.

        A difusão da escrita ocorreu em diversos pontos do planeta, principalmente entre os povos mais adiantados tanto intelectualmente quanto tecnologicamente, mas constata-se que apesar das semelhanças de propósitos, a estruturação morfológica dos traçados gráficos representativos das palavras e expressões despontou com diferentes aspectos, e em alguns casos apresentam completa inexistência de pontos comuns poderiam conter uma correspondência lexical que ajudaria na compreensão lingüística para futuras traduções.





 
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O mundo inteiro se comunica e se entende



 

        

         Esse fenômeno se deve aos regionalismos e ao isolamento dos povos que geraram os diferentes idiomas, tipos de grafias e ideogramas grafemáticos, como é o caso das formas das letras latinas, árabes e chinesas. Em contrapartida as invasões e dominações entre nações difundiram e mesclaram os idiomas e dialetos que apresentaram posteriormente semelhanças entre si. A dominação e expansão romana geraram o surgimento das línguas neolatinas como o português, espanhol e francês.