sexta-feira, 30 de abril de 2010

TRADUÇÃO - UM ASPECTO INTERESSANTE


Tradução

Segundo sua etimologia: traduzir significa transladar ou transpor o conteúdo de um contexto de uma língua para outra.

Embora que a primeira vista nos pareça uma ação simples, a dinâmica da tradução a nível neuropsíquico é bastante complexa, pois esse processo demanda diversas atividades em várias partes do cérebro em operações que envolvem o consumo de hormônios neurotransmissores e ações cognitivas com o objetivo de conciliar a compreensão das duas línguas naquilo que é lido.

Da mesma maneira que a leitura usual, a tradução apresenta-se em diversas características e formas.

Primeiramente a tradução pode ser fragmentada ou decifratória, que se caracteriza pela dificuldade de transladar os idiomas onde a atenção e o esforço do leitor se dissipam principalmente em verter o entendimento do escrito. É característico dos indivíduos que estão introduzindo-se no conhecimento de um novo código analogamente como se fossem alunos no início do ensino da educação infantil em que estão aprendendo o sentido da clareza expressa pela escrita.

O uso de um dicionário de idiomas sempre se faz presente nesta tradução, o vocabulário ainda é muito restrito, o conhecimento ortográfico e regencial é precário e a construção das frases com o sentido a qual foi destinada sofre alterações, mas sem ser de forma intencional.

A tradução poder ser também integral, que é alcançada com o aumento da habilidade e os exercícios constantes. Dessa maneira a forma de ler adquire pleno entendimento e decifração do que está escrito, principalmente em virtude do amadurecimento e pelo desenvolvimento da condição instrucional alcançada pelo indivíduo.

Nessa fase o tradutor tem a capacidade de agregar perfeitamente as sentenças dos enunciados, compreendendo coerentemente todo conteúdo, inclusive com a condição de memorizar ou absorver determinados trechos, frases ou citações, de maneira seletiva, isto é, com objetivos previamente estabelecidos, como encontrar palavras-chave, citações ou quaisquer elementos de seu interesse.

Com o treinamento constante o tradutor adquire involuntariamente um aumento na velocidade da leitura, pois ela se torna automática. Primeiramente porque a decifração é instantânea, ou seja, quando se examina o escrito a interpretação é compreendida em blocos de idéias sem a necessidade de se traduzir palavra por palavra como é na tradução fragmentada.

Em seguida a concentração não se dispersa mediante a lentidão do ingresso dos signos como acontece na decifração conceptiva, a isto chamamos de competência lingüística. O desenvolvimento desta competência pode chegar a níveis incríveis, possibilitando o indivíduo em converter ideogramas em frases, como acontece na tradução da escrita chinesa para a escrita latina. Estimulando a excelência de determinados fatores como a inteligência verbal e outras aptidões individuais.

Traduzir é um procedimento que engloba a interpretação do sentido de um texto escrito em um determinado idioma, o que denominamos de texto fonte, e a produção de um novo texto em outra língua contanto que denote a originalidade na forma mais precisa possível no idioma objeto, a resultante desse novo texto denomina-se de versão ou tradução.

À primeira vista, a tradução, que pode envolver dois ou mais idiomas, não se resume na transladação textual de um idioma para outro, mas na contextualização o processo se torna bem mais complexo, pois nesse caso não está em jogo apenas as palavras em si, mas as idéias variadas que o autor tenta repassar aos seus leitores.

Isto que dizer que se temos uma peça romântica seria ideal que o tradutor fosse um romancista, em virtude de que durante a transcrição do texto ele colocaria elementos anímicos próprios que tornaria a leitura mais afeta ao tipo de linguagem, destacando melhor as tramas e entonações que são características do romancismo. Neste caso, se tivéssemos um tradutor de textos técnicos, o resultado final do romance traduzido seria seriamente prejudicado.

Da mesma forma aconteceria na tradução de um manual técnico, para que possamos ter um resultado mais fiel do escrito, um especialista conhecedor pleno do assunto seria ideal para este tipo de atividade.

Segundo Marcello Novaes de Amorim (2009), ”de um ponto de vista ontológico, a tradução pode ser entendida como o ato de mapear um texto, transportando-o de um domínio a outro”.

Em todos os tempos, a tradução sempre foi uma atividade humana, apesar das experiências cibernéticas de tentar tornar autômatas e informatizadas essas atividades com programas de rotinas específicos para esse fim, como é o caso de corretivos e implementos ortográficos e regenciais, a cadência das idéias sofrem danos consideráveis principalmente pela ordem das frases, por palavras com vários significados, por termos e expressões próprios de um idioma que não existe no outro, e aí se faz uma adaptação lingüística que possa maximizar a compreensão por parte do leitor. Então entra em cena o animismo do tradutor que dará ao escrito uma alma, um sentido, uma emoção, uma exatidão de informações e outras coisas mais que a maquina não poder fornecer por que lhe falta um atributo humano por excelência: a criatividade.

Considera-se que a forma literária com maior complexidade de tradução sejam os textos poéticos, em especial as letras das musicas, que além do compromisso ético de manter o significado, como também o ritmo, a entonação, as rimas e outras características típicas da poesia, pois de forma contrária podemos incorrer no erro de originar cacofonias e cacófatos.



sábado, 27 de março de 2010

O Problema é: Quando entrar na Universidade tudo muda ...

Como aluno e universidade devem se articular para superar o processo de transição e adaptação pós-vestibular?


         
Os alunos de diversas escolas de ensino médio normal, ou seja, não profissionalizantes, tem como principal objetivo desde a sua saída dos cursos fundamentais, a aprovação nos exames de vestibular, que é, naturalmente, o único ingresso para as universidades.

          Existe por trás desse cenário toda uma cultura que impulsiona as metas de ensino e aprendizagem para esse fim exclusivo, motivando assim a criação de um mercado consumidor, haja vista a necessidade da aquisição de um status, principalmente na classe média, que indica o orgulho de alguns pais de terem um filho na faculdade.

          Assim, esse mercado compeliu à criação de colégios e cursos que se dizem especialistas na preparação do aluno para entrar na universidade, trazendo inclusive, garantias enganosas de um ingresso certo e um futuro promissor.

          Tais cursos, por assim dizer, montaram uma estrutura de escola-empresa, onde o aluno é o seu “cliente” e alvo dos lucros e crescimento desta empresa. Por isso mesmo, criam estratégias de marketing para atrair novos consumidores e divulgam que sua qualidade que está condicionada ao número de aprovados nesses exames.

          Desta forma adotaram uma metodologia de adestramento e “bizus”, ensinando o que chamamos de “jogo de cintura” para que o aluno possa responder as questões propostas pelo teste utilizando inúmeros artifícios, enquanto que a essência do ensino fica para segundo plano.

          É muito comum vermos candidatos às universidades com fórmulas decoradas, regras mnemônicas e “chutes” calculados, prontos para responderem qualquer questão dessa avaliação, mas se forem expostos a alguns quesitos que sejam necessários maior raciocínio, ou pôr a prova sua destreza: veremos que os resultados serão desastrosos.

          Infelizmente, é isso que acontece quando ingressam na universidade, cuja metodologia gira em torno de ensino, extensão e pesquisa, ou seja, o uso real e efetivo do pensamento e da razão, que deveria levar os graduandos a formarem conhecimentos próprios.

          Segundo Pedro Demo, uma boa parte dos universitários que ingressam nas universidades se encontra completamente despreparados, muitos deles não sabem sequer se a escolha do curso foi realmente acertada, se graduação atenderia efetivamente às suas expectativas.

          Todos esses fatos geram uma verdadeira desilusão, em virtude da decepção do vislumbre utópico de um sonho irreal que a universidade seria o paraíso do saber na Terra. O que causa em muitos desmotivação, desinteresse e evasão das salas de aulas do ensino superior, principalmente nos cursos de ciências exatas.

          Desta maneira o presente projeto, objetiva sugerir uma solução efetiva ao problema, visto que este processo de inserção e adaptação deve ser bem conduzidos por ambos os lados, aluno e universidade, pois se houver falha neste sentido poderá trazer grandes prejuízos e sérias conseqüências na formação profissional do educando, transformando-o desta forma, em um profissional incompetente, medíocre ou um individuo dissociável.

          Tanto o aluno quanto a universidade não poderão desvincular-se desse processo, que é de extrema necessidade para o desenvolvimento acadêmico do graduando.

          A universidade, porque é a sua obrigação garantir uma formação de qualidade no ensino superior e o graduando porque o seu objetivo é se formar, transformando-se em um profissional de alta performance.

          Sugere-se então que as universidades criem uma estratégia pedagógica e inclusiva dotada de um bom planejamento com atividades diversificadas e direcionadas ao futuro acadêmico do graduando, procurando, inclusive, ter vistas ao seu aprimoramento e o desenvolvimento das capacidades e competências, elevando assim o nível de ensino e aprendizagem o que será de aproveitamento geral.

          Faz-se necessário um diagnóstico das necessidades prementes do aluno: perfazendo um desenho do cenário atual com levantamento dos pontos fortes e franquezas dos quais estes são portadores.

          Com base nesses dados, criar um plano de inclusão e nivelamento intelectual, com a finalidade de homogeneizar os padrões dos alunos, o que facilitaria a atuação do corpo docente neste processo.

          A implementação desse plano deve ser gradual, ostensiva e efetiva; e no final uma avaliação de resultados cujos dados estáticos poderão nortear a melhoria das técnicas e procedimentos pedagógicos utilizados no decorrer do programa.

          Não devemos esquecer que este processo deverá ser cíclico e permanente com avaliações constantes e correções quando se fizerem necessárias.

          Os métodos e técnicas adotados serão as observações, pesquisas na literatura e portais da Internet relacionados ao assunto e nas entrevistas individuais numa amostragem de alunos aprovados no vestibular de uma determinada escola.



Marcos Aurelio