domingo, 31 de outubro de 2010

LEITURA E O MECANISMO COGNITIVO

          Quando falamos em processos cognitivos o complexo humano apresenta uma infinidade de estruturas e elementos capazes de realizar funções mentais diversas, segundo a necessidade que se lhe apresenta. Algumas são puramente instintivas e são ativadas quando existe uma exigência orgânica em face de algum desequilíbrio a ser suprido, como é o caso da fome, sede, dor, etc. Outras se desenvolvem espontaneamente, principalmente quando o indivíduo está inserido no meio social e absorve por osmose algumas atividades dos seus semelhantes próximos; a faculdade da fala é um bom exemplo dessa espontaneidade, a criança aprende a falar interagindo verbalmente com os pais e irmãos mais velhos e amplia seu vocabulário na escola com os outros alunos de classe. Evidentemente que este processo se torna truncado quando se trata de deficientes auditivos e alguns deficientes mentais.
         
          No caso da leitura o aprendizado é invito, o tirocínio, isto é, a prática inicial dessa atividade, não acontece de livre determinação, é necessário que haja uma condução sistemática e na maioria das vezes institucionalizada através de um programa metódico com o objetivo de preparar para esta atividade. O ato de ler exige um trabalho árduo, longo, forçoso, ordenado e progressivo.

          Importante observar que sem a compreensão não há leitura, existe apenas a percepção sensorial.
 
         Nesse tópico vamos analisar a leitura e os principais processos inerentes a esta atividade. Como vimos anteriormente o ato de ler envolve uma série de fatores que interagem entre si formando a mecânica cognitiva. Para melhor compreensão desta matéria vamos apresentar um modelo didático do caminhamento das informações desde a apreensão sensorial até o arquivamento efetivo nas áreas superiores da memória.
 
          A porta de entrada das informações do mundo exterior para a mente ocorre ao nível dos órgãos sensoriais, no caso da leitura escrita essa entrada pode ocorrer de duas formas: através da visão, a mais comum; e através do tato digital, geralmente utilizado por pessoas com alguma deficiência visual.
 
          A captura das imagens ou a percepção tátil de um escrito acontece analogamente como em qualquer objeto, o órgão sensorial recebe as impressões conforme sua função específica e a transcodifica em impulsos nervosos que são levados ao cérebro, por intermédio do arco-reflexo neural, numa cadeia de neurônios exclusiva para essa finalidade.
 
          Ao chegar à área especifica do cérebro que lida com o tratamento dessas informações, inicia-se, então, o processo mental cognitivo de processamento do núcleo da leitura como representação léxico-mental que partem dos níveis visual-ortográfico, passando pelo semântico-interpretativo, gerando a compreensibilidade e por fim o arquivamento erudito.
 
          O primeiro nível desse processo é denominado de memória seccional ou memória volátil, neste ambiente as informações são assimiladas por um curto período de tempo em virtude de que sua principal função é de armazenar e repassar imediatamente aquilo que é captado pelos órgãos sensores.
 
          Nesse estagio abrigamos os dados de ilação imediata, que são processados em forma de “pacotes” de informação enviados para o nível imediatamente superior, sem a preocupação de análise ou interpretação do que está recebendo.
 
          Essa memória, dependendo da eficiência do leitor, faz o reconhecimento dos dados inicias e secciona-os, ou seja, letra por letra, silaba por silaba, palavra por palavra ou mesmo por blocos de palavras como no caso da leitura dinâmica. Sendo que a média de armazenagem é de quatro unidades significativas: letra, silaba ou palavra.
 
          Exemplificado a dinâmica dessa memória vamos verificar uma situação hipotética: um indivíduo que só consegue ler as palavras letra a letra, este terá grande dificuldade em decifrar palavras maiores como paralelepípedo, cuja leitura se dará da seguinte forma p-a-r-a-l-e-l-e-p-í-p-e-d-o, quando se estiver lendo l-e-p-í, já estará esquecido o começo da palavra, pois estas letras estão colocadas entre a sétima e a décima unidades significativas, ficando as primeiras sem sentido para os níveis superiores, conseqüentemente não conseguirá lê-la. O mesmo acontece nos outros casos sendo um pouco mais complexo, isso porquê os mecanismos que formam o reconhecimento das frases se encontram débeis e o encadeamento processual é rompido eliminando assim o exercício da leitura.
 
         Comparativamente são os editores de textos atuais dos computadores, na medida em que o usuário vai construindo o texto a interface inicial apenas interage teclado e monitor (memória seccional), em seguida quando já se tem um grupo de palavras ou ao passar certo intervalo de tempo, o próprio programa do editor lança os dados numa memória mais perene (níveis superiores da memória), evitando assim a perca de dados por uma falha acidental ou por falta de energia elétrica.
 
 
          O próximo nível é denominado de memória intermediária que é o elemento de ligação entre a memória seccional e a memória semântica. Nesta área cognitiva estão as informações mais recentes e usuais, ou seja, o repositório do nosso vocabulário usado no dia-a-dia, portanto, é o local onde se dá a compreensão imediata dos dados recém chegados, pois lá existe uma série de elementos comparativos que darão o sentido e decifração ao que se está lendo.
 
          Quando a compreensibilidade acontece de forma precária, essa memória trava obrigando o leitor a parar e reler o texto escrito, se isso acontece mais vezes surge a partir daí uma reação de repulsa mental induzindo o indivíduo a abandonar a leitura. É por isso que o exercício de ler requer perseverança e treinamento constante, caso contrário, como somos compelidos a agir pelo menor esforço, certamente, desistiremos deste hábito tão salutar.
 
          Um ponto positivo da memória intermediária é a capacidade de inferência, isto é, a capacidade de dedução ou “adivinhação’’ do que se está lendo; quando o leitor é hábil ele não precisa ler a palavra completa para compreendê-la semanticamente, ou seja, sua relação de significação no sentido enunciado. Para isso as primeiras e ultimas letras já são suficientes.
 
          Em níveis mais elevados de leitura a inferência permite que se decifrem blocos de frases inteiros sem afetar a percepção e de tal forma que a compreensão seja satisfatória do conteúdo escrito: é o que acontece na leitura dinâmica.
 
          Com a finalidade de observar melhor a ação da inferência no mecanismo cognitivo, vamos nos valer dos anagramas alfanuméricos da ilustração a seguir onde letras e números estão misturados de forma proposital e não aleatória.
 
          Para melhor visualização do conteúdo da ilustração 01 e obtermos um resultado a contento do que queremos provar, permitimo-nos sair do padrão de formatação oficial, ou seja, utilizamos fonte, tamanho da fonte, recuo, espaçamento e alinhamento diferentes da estabelecidas pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas.

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3M D14 D3 V3R40, 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 7R484LH4V4M MU170 C0N57RU1ND0 UM C4573L0 D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45 3 P4554G3NS 1N73RN45. QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U 7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4.
 
4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1ND0 D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0. C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40;
 
G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N57RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R! S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0.
 
0 R3570 3 F3170 D3 4R314

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Ilustração 01 - Fonte:
Blog Pelotas Vip
 
          A primeira reação quando vemos esse quadro é de procurar ler as unidades significativas uma a uma, ou seja, as letras e os números individualmente, o que naturalmente não trará nenhum sentido. Inicia-se então a ativação da memória seccional que não conseguirá formar os “pacotes” de informação de forma lógica para o nível superior, pois, percebemos apenas caracteres alfanuméricos misturados e sem cabimento seja lexical ou textual.
 
          Com um pouco mais de cuidado e rapidez, passamos a compreender que existe uma mensagem implícita nesse texto, e com o percorrer mais rápido da vista fica ainda mais fácil decifrar o que está escrito, até que a partir da segunda linha o escrito se revela mais claro e a leitura está inteiramente proveitosa.
 
          É isso que acontece por ação da memória intermediária; uma vez repleta de elementos comparativos com dados de uso freqüente, imediatamente faz as correlações das possibilidades do anagrama dando-lhe um sentido lógico formulando as palavras e frases resultando na coerência ao texto.
 
          A experiência pessoal com alguns indivíduos do nosso convívio particular, quando mostrado esse texto, de maneira empírica e sem a intenção de formular dados estatísticos ou qualquer princípio de levantamento cientifico, nos revelou algumas observações interessantes:
 
  • Um leitor mediano apresenta maior dificuldade de perceber a formulação textual do que um leitor hábil; 
  • A percepção inicial dos anagramas em palavras, em todos os casos, demandou certo período de tempo conforme a habilidade individual. Isso acontece em virtude de que os leitores ainda estavam presos aos padrões sintáticos da língua portuguesa;
  • Com a compreensão já efetivada associada à velocidade com que os olhos percorrem as linhas, o leitor tem a ilusão de ótica que não existem números, apenas letras formando as palavras.
 
          Outro aspecto interessante é a solução de palavras cruzadas: primeiramente o indivíduo tem um guia ou uma pista que é a deixa para se achar o vocábulo incógnito, em seguida a quantidade de letras representada por quadrinhos e por fim as letras comuns de duas ou mais palavras que se cruzam. Com a inferência a solução se dá de maneira automática, sem precisar na maioria das vezes ler o guia para se descobrir o vocábulo oculto
 
          Uma faceta a ser observada, reside no fato de que a memória intermediaria não apenas realiza comparações lexicais, mas também em formas, cores, objetos, texturas e tudo mais relativo às imagens. Isso muitas vezes provoca algumas impressões: determinadas fontes, por exemplo, podem causar determinada Influência que pode repercutir no ânimo ou no humor do leitor, isto é, têm a condição de dar a impressão de medo, de brincadeira, de seriedade, de alento, de romantismo, etc., por essa razão os especialistas em marketing quando querem causar algum efeito em suas propagandas, dependendo da finalidade específica, escolhem uma fonte gráfica adequada em forma, textura e cor de modo que possa chamar a atenção do espectador e despertar-lhe atenção em seus objetivos.
 
          A indução ocorre quando a memória intermediaria é estimulada; correlaciona a imagem escrita com o acervo de informações prévias e induz o sujeito a uma reação psicológica equivalente ao estímulo efetuado, gerando assim uma reação emocional por obtenção desse processo.
 
          O último estágio cognitivo é denominado de memória profunda, memória semântica ou memória longo termo. Esta área é responsável pelo arquivamento, organização e regramento das informações obtidas e processadas pela memória intermediária, em uma palavra: a erudição, isto é a instrução vasta e variada, adquirida, sobretudo pela leitura.
 
         O real funcionamento da memória semântica como um todo e os processos envolvidos é motivo ainda de estudos exaustivos, a compreensão e a constatação das aplicações que encerram as ações dessa área cerebral é alvo de inúmeras teorias, pois muitas de suas atividades representam um enigma para a ciência. Mesmo assim com o pouco que se sabe, é fascinante vislumbrar todos esses processos que refletem a inteligência, habilidades e competências do ser humano.
 
          Dotada de três incumbências essenciais, a memória semântica tem como primeiro papel organizar todas as informações que a ela chegam, fazendo uma triagem complexa, formando diversas seqüências associativas, conforme seu interesse e a capacidade de ordenação, esse fenômeno entra em consonância com o grau intelectual do indivíduo, ou seja, um homem letrado tem maior condição de seqüenciar informações nessa memória gerando uma leitura e assimilação proficiente, já o mediano sente-se confuso por falta de elementos instrucionais suficientes para uma boa decifração.
 
          Esse trabalho é semelhante ao de um bibliotecário virtual que tem em seu poder uma vasta e heterogênea coleção literária de informes; com a habilidade de triar, arquivar, formar e desenvolver um diretório, realizar buscas quando solicitadas e traçar hipertextos para relação mútua entre dois ou mais termos.
 
          O arquivamento é seletivo e personalizado, cada pessoa tem seu próprio esquema de resguardar as informações com características próprias em seus aspectos: visual, olfativo, tátil, palatal, emocional, instrutivo, etc. de tal forma que esse acervo pode datar dos acontecimentos da vida intra-uterina, alem de ter uma continência incalculável.
 
          O regramento é outra característica importante. Essa memória tem como predicado estabelecer a regência do fluxo das informações: os dados que entram como serão processados e armazenados; e os que saem como correlacioná-los com outras ações cognitivas e resultar em um determinado efeito.
 
          A leitura de um romance, por exemplo, pode levar o leitor a sentir diversas emoções: tristeza, alegria, graça, raiva, etc. dependendo de como o autor narra seu escrito. Mesmo se tratando de uma ficção as reações emotivas eclodem em virtude do processo de interação correlacionado através da memória semântica com os conhecimentos e experiências vividas pelo sujeito e de que forma as lembranças parciais ou efetivas vão influenciar no caminhamento dessa leitura, induzindo as fantasias e devaneios.
 
          O conhecimento técnico é ampliado também nessa memória. Iniciando por noções elementares que vão se somando a outros dados à medida que novas informações vão sendo adquiridas. A memória semântica seqüencia, relaciona e dá sentido a esse conhecimento, provendo-o de elementos cognitivos capazes de fornecer o reconhecimento imediato de sua aplicação dentro de um determinado contexto.
 
          Em suma, para nossa fixação da mecânica cognitiva da leitura apresentamos o seguinte esquema na ilustração 02:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fluxo do impulso nervoso e das informações.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

LEITURA E ESCRITA: IMPORTÂNCIA EM NOSSAS VIDAS



       O processo do desenvolvimento da leitura está intrinsecamente associado ao da escrita, um não existe sem o outro, pois ambos têm sua origem na evolução natural do homem e seu progresso intelectual, cognitivo, psicológico e biológico. Haja vista que esses fatores se interagem de tal forma que resultará na formação do homem integral, ou seja, para que possa existir a manifestação das criatividades e das habilidades de forma efetiva e eficaz, o psicológico tem a primeira ação que é a identificação da necessidade, isso faz com que haja também o primeiro impulso de suprir o que lhe falta para lhe trazer o equilíbrio esperado. O fator cognitivo é a segunda estância onde o indivíduo vai buscar seus conhecimentos, experiências e informações antecedentes dele próprio e de outros indivíduos que comungam a mesma vida social repassados por condições semelhantes; o intelecto vem a seguir buscando ações mais diretas para a realização dos procedimentos que irão satisfazer a necessidade premente. Por fim vem o biológico, onde se origina as necessidades essenciais ativando os demais complexos fazendo o sistema encadeado funcionar.

Esse é um processo cíclico e interminável, pois a condição humana sempre dispõe de novas necessidades a serem supridas.



Tais necessidades e suas abrangências são também a causa principal do desenvolvimento da humanidade, em todos os fatores acima descritos, inclusive no aspecto tecnológico que retrata os resultados primordiais desse progresso; não é possível admitir que um homem com a inteligência atual, tenha seu corpo físico encerrado numa estrutura semelhante ao Homo Neanderthalensis, pois sua estrutura física e neural não comportaria a complexidade do sistema orgânico e mental assim como suas atribuições na manutenção da vida e na manifestação das faculdades.




Por isso que a leitura e a escrita demandam inúmeras atividades coordenadas pelo cérebro, ativando diversas áreas neurais, como também aciona diversos níveis de memória e graus de consciência para que esse processo de decodificação e compreensão tenha seu devido êxito.












O desenvolvimento da leitura e da escrita tem seu paralelo com a marcha evolutiva do ser humano e suas transformações (evoluções) naturais, em virtude das variações ambientais que estamos sendo constantemente submetidos, mas dotados com a capacidade de adaptação e harmonização com as condições que nos são apresentadas pela própria natureza.

O instinto humano, como possível defesa dessas adversidades e em favor da perpetuação da espécie, tem como uma de suas principais características a comunicabilidade, ou seja, a expressividade dos pensamentos revelados através de sons, gestos e trejeitos corporais, com a finalidade de transmitir aos seus semelhantes as informações do seu estado atual, de suas necessidades, do seu conhecimento e experiências oriundas do legado ancestral.


Esse mesmo instinto compele a participação dos dados relativos aos acontecimentos, habilidades, perícias e práticas adquiridas com o exercício constante dos afazeres dia-a-dia, como também uma descrição virtual imaginativa dos sonhos, ficções, fantasias e idéias existentes dentro da complexidade de um ser.


O tetraedro formado pelos fatores: intelectualidade, cognição, psicologia e antropologia, associados a esse instinto, além capacidade criativa, incitou a inevitável construção de uma maneira de gravar de forma efetiva e se possível duradora essas informações; de forma que aqueles que comungam esse conhecimento possam, a qualquer tempo, rever e relembrar o que está ali gravado. 


A escrita e a leitura resolvem dessa forma esse dilema. O qual foi absorvido muito bem aceito em todos os povos, em todos os tempos e em todas as situações.


Nos dias atuais, a leitura ainda é objeto de muito estudo nas ciências humanas, exatas e da saúde; teorizada e explicada por muitos estudiosos que buscam uma melhor forma de alcançar a eficácia na interpretação e compreensão dos textos escritos, alem de tentar unificar os padrões semânticos, ortográficos, gramaticais e lingüísticos, formado uma linguagem única para ser compreendida entre todas as nações. Como é o caso do Esperanto, (Dicionário do Aurélio, 1999): ”Língua auxiliar de comunicação internacional, elaborada pelo médico judeu-polonês Ludwig Lazar Zamenhof (1859-1917) e por ele divulgada em 1887”.


O ato de ler deve ser um instante de interação e comunicação indireta entre o leitor e o escritor por meio de seu trabalho textual; trata-se de uma busca cognitiva que desperta muitas habilidades e põe em funcionamento diversas áreas cerebrais forçando este maravilhoso órgão ao exercício mais intenso de suas atividades num processo de neuróbica, exercício mental, salutar, afastando o homem de possíveis males que afetam a memória e o raciocínio, não somente na idade avançada, mas também na tenra juventude, como nos mostra a experiência cotidiana de educadores.


A leitura nos coloca diante de inúmeras informações básicas, gerais e especificas; nos leva ao mundo mágico da imaginação; faz-nos conhecer muitas terras, muitos povos e muitos ambientes: fauna, flora, relevos, etc.; leva-nos a viajar por recantos distantes e inóspitos do universo sem fim; melhora nossa dicção; enriquece nosso vocabulário; altera a sistematização de nosso pensamento, tornando-o mais ordenado, metódico e coerente: dá-nos uma melhor compreensão das obras escritas, e por fim, auxilia nossa criatividade na elaboração de textos e produção de trabalhos literários, científicos ou artísticos.


Com todas estas vantagens a leitura deveria ser uma atividade agradável e até mesmo prazerosa para todas as pessoas, principalmente entre o alunato, haja vista que a leitura é um fator decisivo para o estudo. No entanto o que se nota é que ela se torna num instante de tortura, fator de punição, pesquisas burocráticas e sem objetivos maiores de aprendizagem; buscas textuais de palavras para exemplos de ortografia e gramática sem levar em conta a interpretação, compreensão e aplicabilidade do escrito como um todo; apenas para passar o tempo ou obtenção de notas evitando assim a reprovação do ano letivo.

Vejam nesse clip a realidade de algumas escolas:







Teróricos nos alertam que alguns professores, especialmente na rede pública, perderam no decorrer do tempo de magistério o costume de ler, em geral entram em processo de acomodação e apenas rememora ano após ano o mesmo conteúdo programático das primeiras aulas do início de suas carreiras. Dificilmente, tais docentes procuram fazer reciclagens, cursos de aprimoramento ou de extensão que lhe serviria de crescimento individual, resgatando sua auto-estima o que lhe faria sentir-se plenamente realizado profissionalmente.

Como se isso não bastasse, tal desatino é repassado para seus alunos, que na sua vida escolar não lhes é ensinado a ler, não existe motivação para sentir o conteúdo de obras literárias, muito menos a valorizar a importância da leitura em nossa vida, tanto cotidiana quanto acadêmica.


Quando a grade curricular exige, tais profissionais do ensino escolhem para seus estudantes e iniciantes obras complexas e com conteúdo pouco acessível à linguagem popular usual, tornando assim essa leitura enfadonha, incompreensível e desmotivadora, provocando uma espécie de trauma, similar a uma agressão emocional capaz de desencadear perturbações psíquicas que tornará as futuras leituras, desde já, uma ação de repugnância e completa aversão aos livros.


ATENÇÃO - Nossa intenção nesta matéria não é fazer uma observação crítica da depreciação coletiva de nosso povo em relação à leitura, ou apontar os defeitos dos colegas de ensino que não mostram o interesse devido ao estudo sistematizado, muito menos levantar a espada da verdade e sai com a solução mágica dos problemas culturais de nosso país tão arraigados desde surgimento do Brasil como nação soberana.





A nossa finalidade é fazer um compêndio discreto sobre a leitura, sua estrutura e seu desenvolvimento cognitivo, buscando no seu histórico os elementos iniciais de desenhos representativos ainda toscos, até as fixações gráficas complexas da linguagem, as quais concretizaram o adiantamento alcançado pela humanidade nos dias atuais.



Mostrando que o ato de ler é um processo crescente tanto nos fatores que levam a plena compreensão e decodificação dos signos que formam as sentenças textuais, quanto na maturidade alcançada no uso do sistema nervoso central e as regiões cerebrais por eles ativadas, substituindo os sinais semiológicos por elementos lexicais de seqüência lógica primária até aos níveis mais elevados da leitura profícua.




Por fim, abrimos um espaço para discussões, troca de idéias e de experiências. A última palavra sobre esse tema possivelmente jamais será pronunciada, pois da mesma forma que o homem não conhece quando se iniciou o processo de leitura e escrita, não se vislumbra o dia que este perderá seu mérito na comunicação humana.



sábado, 31 de julho de 2010

LEITURA E ESCRITA: Alguns Aspectos Históricos



         
          Como sabemos a história como ciência é dividida em duas partes: a pré-história e a história da humanidade, o marco decisivo dessa divisão reside exatamente no aparecimento da escrita a mais ou menos quatro mil anos antes de cristo, pois a história como ciência só pode ser versada através de provas documentais de registros palpáveis e irrefutáveis portadores de informações necessárias de maneira a compor, analisar e construir os acontecimentos de uma determinada época, e o que esses acontecimentos refletirão na vida futura de um povo.

         Inúmeros casos mostram a possibilidade de um determinado episódio que no passado tenha sido considerado de pouca importância, se transformar em fator de peso nos acontecimentos vultosos do futuro.



          Quem poderia imaginar, por exemplo, que o banho de tina de Arquimedes no século III a.C., fosse o arremesso inicial que formulou o postulado da grandeza física dos princípios da hidrostática, o empuxo arquimediano: responsável por cálculos que possibilitam o fato de um navio de várias toneladas flutuar no oceano, ou mesmo, que o referida ocorrência tenha sido o primeiro caso registrado, conhecido e desvendado da Ciência Forense: onde Arquimedes provou que a coroa encomendada pelo rei Hierão de Siracusa estaria com sua estrutura química adulterada?

           




  
          Todos esses feitos tinham suas transcrições nas tecnologias disponíveis em suas épocas: narrativas, litografia, gravuras rupestres, pergaminhos, papiros, etc. que até hoje serve como base cientifica na estruturação e formulação da história da humanidade tal qual nós a conhecemos.

         No entanto, não se sabe ao certo onde e como iniciou o processo da leitura e da escrita, o que se sabe é que desde o tempo em que os homens ainda habitavam as cavernas já existia uma necessidade da transmitir informações daquilo que eles consideravam importante, seja para os membros de uma determinada coletividade como também para os estrangeiros, pacíficos ou não: aviso de perigo ou de lugares perigosos; marcar território ou restringir o acesso a determinadas áreas com o uso de penduricalhos em estacas de madeira; adornos informativos de líderes religiosos, políticos ou militares; acontecimentos da vida comum dos agrupamentos; feitos heróicos de caçadas e batalhas, e assim por diante.


          A maior prova disso reside nos desenhos e pinturas arqueológicas, os petróglifos, achados em diversas partes do planeta, onde mostra claramente o instinto peculiar do homem em propagar suas manifestações cognitivas através de símbolos, que, mesmo distantes geograficamente, em diferentes culturas, povos e raças, esses traçados tinham os mesmos objetivos, semelhanças estruturais pictográficas e litográficas, sem que tivesse a possibilidade de repasse desses conhecimentos entre eles.

         Mas, qual o motivo desse comportamento? Por que um determinado indivíduo pegou tintas e rabiscou estes desenhos ou talhos em rochas? Qual a sua intenção? Qual a importância pessoal atribuída para aquela atitude?

A resposta é simples: “o homem tem como diferença essencial dos outros animais a característica única de transmitir aos seus sucessores todo ou parte dos seus conhecimentos e experiências adquiridas durante sua existência”.

          Ou seja, alem do comportamento de observar e planejar, o ser humano é capaz de repassar e assimilar os aprendizados cotidianos, desde que haja interesse ou necessidade para tal.

 

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          Outra característica humana é a adaptação as diversas condições ambientais, favoráveis ou não, o qual ele está submetido. Tais condições geram necessidades e conforme diz o dito popular: “a necessidade é a mãe da invenção”, ou seja, a satisfação das exigências vitais, como alimento, abrigo, agasalho, etc. obrigam o ser humano a procurar e processar materiais e ferramentas no intuito de facilitar seus trabalhos num processo criativo e dinâmico de forma a suprir as premências que se apresentam.

          Desta forma se juntar essas duas características: a inventividade e o instinto natural de transmitir de informações, teremos a maneira adquirida por meio de traços, sinais, caracteres ou símbolos um modo capaz de registrar os frutos das vivências, observações e habilidades desenvolvidas de forma perceptiva para que se possa decifrar e interpretar o sentido do que se apresenta, ou seja, realizar uma leitura.

           Com o desenvolvimento intelectual do ser humano as formas da leitura tornaram-se mais sofisticadas e esses sinais começaram a ter uma representação uniforme e mais abrangente até que surgiu a escrita coordenada.

Pedra de Roseta - Hieróglifos
         Segundo os historiadores a origem da escrita como forma efetiva de comunicação e registro, ocorreu por volta de 3200 a.C., com os povos sumerianos que habitavam a região da mesopotâmia. Eles desenvolveram a escrita cuneiforme, isto é, os caracteres gráficos tinham o formato de figuras cônicas. Em seguida os egípcios criaram os hieróglifos: sinais sagrados; e posteriormente, ainda no antigo Egito, a escrita hierática: escritos sacerdotais e demóticos.

       

          Para esses povos as razões principais que motivaram o aparecimento e o desenvolvimento da escrita foram às necessidades de se contabilizar produtos comercializados, cálculos geométricos de estruturas, registros de cultos e rituais sagrados, homenagens as personalidades e líderes religiosos e políticos, resguardar códigos de leis e costumes de um povo.

        O código de Hamurabi (1738 a.C.), por exemplo, é um dos mais antigos e importantes documentos escritos da história da humanidade, seu conteúdo regia o comportamento social de uma nação, traçando leis e punições aos infratores e que serve de base para muitos sistemas legais modernos.

         



         A Torá, que significa instrução, apontamento ou lei, é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah: as cinco partes da Torá) ou o Pentateuco, que fazem parte dos textos fundamentais do judaísmo. Neles está contida a primeira teoria da criação do mundo e do universo; a origem do homem e o crescimento da humanidade, a narrativa sobre o dilúvio e a nova repovoação da terra; o pacto de Deus com Abraão e seus filhos, a origem do povo árabe; a libertação dos filhos de Israel do Egito e sua peregrinação de quarenta anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e leis morais e civis que teriam sido dadas a Moisés para que entregasse e ensinasse ao povo Hebreu, e ainda hoje é aceita na maioria das religiões de origem cristã. Portanto, compreende outro importante documento do patrimônio mundial.




       O aparecimento da escrita foi um acontecimento tão importante para o mundo, que o registro e a compreensão dos fatos registrados com base cientifica concreta deram origem a uma nova ciência: a História, e é por causa da “invenção” da escrita que a história é dividida em duas partes: antes da escrita - a pré-história e depois do aparecimento da escrita – a história da humanidade propriamente dita.

        A difusão da escrita ocorreu em diversos pontos do planeta, principalmente entre os povos mais adiantados tanto intelectualmente quanto tecnologicamente, mas constata-se que apesar das semelhanças de propósitos, a estruturação morfológica dos traçados gráficos representativos das palavras e expressões despontou com diferentes aspectos, e em alguns casos apresentam completa inexistência de pontos comuns poderiam conter uma correspondência lexical que ajudaria na compreensão lingüística para futuras traduções.





 
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O mundo inteiro se comunica e se entende



 

        

         Esse fenômeno se deve aos regionalismos e ao isolamento dos povos que geraram os diferentes idiomas, tipos de grafias e ideogramas grafemáticos, como é o caso das formas das letras latinas, árabes e chinesas. Em contrapartida as invasões e dominações entre nações difundiram e mesclaram os idiomas e dialetos que apresentaram posteriormente semelhanças entre si. A dominação e expansão romana geraram o surgimento das línguas neolatinas como o português, espanhol e francês.








sexta-feira, 30 de abril de 2010

TRADUÇÃO - UM ASPECTO INTERESSANTE


Tradução

Segundo sua etimologia: traduzir significa transladar ou transpor o conteúdo de um contexto de uma língua para outra.

Embora que a primeira vista nos pareça uma ação simples, a dinâmica da tradução a nível neuropsíquico é bastante complexa, pois esse processo demanda diversas atividades em várias partes do cérebro em operações que envolvem o consumo de hormônios neurotransmissores e ações cognitivas com o objetivo de conciliar a compreensão das duas línguas naquilo que é lido.

Da mesma maneira que a leitura usual, a tradução apresenta-se em diversas características e formas.

Primeiramente a tradução pode ser fragmentada ou decifratória, que se caracteriza pela dificuldade de transladar os idiomas onde a atenção e o esforço do leitor se dissipam principalmente em verter o entendimento do escrito. É característico dos indivíduos que estão introduzindo-se no conhecimento de um novo código analogamente como se fossem alunos no início do ensino da educação infantil em que estão aprendendo o sentido da clareza expressa pela escrita.

O uso de um dicionário de idiomas sempre se faz presente nesta tradução, o vocabulário ainda é muito restrito, o conhecimento ortográfico e regencial é precário e a construção das frases com o sentido a qual foi destinada sofre alterações, mas sem ser de forma intencional.

A tradução poder ser também integral, que é alcançada com o aumento da habilidade e os exercícios constantes. Dessa maneira a forma de ler adquire pleno entendimento e decifração do que está escrito, principalmente em virtude do amadurecimento e pelo desenvolvimento da condição instrucional alcançada pelo indivíduo.

Nessa fase o tradutor tem a capacidade de agregar perfeitamente as sentenças dos enunciados, compreendendo coerentemente todo conteúdo, inclusive com a condição de memorizar ou absorver determinados trechos, frases ou citações, de maneira seletiva, isto é, com objetivos previamente estabelecidos, como encontrar palavras-chave, citações ou quaisquer elementos de seu interesse.

Com o treinamento constante o tradutor adquire involuntariamente um aumento na velocidade da leitura, pois ela se torna automática. Primeiramente porque a decifração é instantânea, ou seja, quando se examina o escrito a interpretação é compreendida em blocos de idéias sem a necessidade de se traduzir palavra por palavra como é na tradução fragmentada.

Em seguida a concentração não se dispersa mediante a lentidão do ingresso dos signos como acontece na decifração conceptiva, a isto chamamos de competência lingüística. O desenvolvimento desta competência pode chegar a níveis incríveis, possibilitando o indivíduo em converter ideogramas em frases, como acontece na tradução da escrita chinesa para a escrita latina. Estimulando a excelência de determinados fatores como a inteligência verbal e outras aptidões individuais.

Traduzir é um procedimento que engloba a interpretação do sentido de um texto escrito em um determinado idioma, o que denominamos de texto fonte, e a produção de um novo texto em outra língua contanto que denote a originalidade na forma mais precisa possível no idioma objeto, a resultante desse novo texto denomina-se de versão ou tradução.

À primeira vista, a tradução, que pode envolver dois ou mais idiomas, não se resume na transladação textual de um idioma para outro, mas na contextualização o processo se torna bem mais complexo, pois nesse caso não está em jogo apenas as palavras em si, mas as idéias variadas que o autor tenta repassar aos seus leitores.

Isto que dizer que se temos uma peça romântica seria ideal que o tradutor fosse um romancista, em virtude de que durante a transcrição do texto ele colocaria elementos anímicos próprios que tornaria a leitura mais afeta ao tipo de linguagem, destacando melhor as tramas e entonações que são características do romancismo. Neste caso, se tivéssemos um tradutor de textos técnicos, o resultado final do romance traduzido seria seriamente prejudicado.

Da mesma forma aconteceria na tradução de um manual técnico, para que possamos ter um resultado mais fiel do escrito, um especialista conhecedor pleno do assunto seria ideal para este tipo de atividade.

Segundo Marcello Novaes de Amorim (2009), ”de um ponto de vista ontológico, a tradução pode ser entendida como o ato de mapear um texto, transportando-o de um domínio a outro”.

Em todos os tempos, a tradução sempre foi uma atividade humana, apesar das experiências cibernéticas de tentar tornar autômatas e informatizadas essas atividades com programas de rotinas específicos para esse fim, como é o caso de corretivos e implementos ortográficos e regenciais, a cadência das idéias sofrem danos consideráveis principalmente pela ordem das frases, por palavras com vários significados, por termos e expressões próprios de um idioma que não existe no outro, e aí se faz uma adaptação lingüística que possa maximizar a compreensão por parte do leitor. Então entra em cena o animismo do tradutor que dará ao escrito uma alma, um sentido, uma emoção, uma exatidão de informações e outras coisas mais que a maquina não poder fornecer por que lhe falta um atributo humano por excelência: a criatividade.

Considera-se que a forma literária com maior complexidade de tradução sejam os textos poéticos, em especial as letras das musicas, que além do compromisso ético de manter o significado, como também o ritmo, a entonação, as rimas e outras características típicas da poesia, pois de forma contrária podemos incorrer no erro de originar cacofonias e cacófatos.



sábado, 27 de março de 2010

O Problema é: Quando entrar na Universidade tudo muda ...

Como aluno e universidade devem se articular para superar o processo de transição e adaptação pós-vestibular?


         
Os alunos de diversas escolas de ensino médio normal, ou seja, não profissionalizantes, tem como principal objetivo desde a sua saída dos cursos fundamentais, a aprovação nos exames de vestibular, que é, naturalmente, o único ingresso para as universidades.

          Existe por trás desse cenário toda uma cultura que impulsiona as metas de ensino e aprendizagem para esse fim exclusivo, motivando assim a criação de um mercado consumidor, haja vista a necessidade da aquisição de um status, principalmente na classe média, que indica o orgulho de alguns pais de terem um filho na faculdade.

          Assim, esse mercado compeliu à criação de colégios e cursos que se dizem especialistas na preparação do aluno para entrar na universidade, trazendo inclusive, garantias enganosas de um ingresso certo e um futuro promissor.

          Tais cursos, por assim dizer, montaram uma estrutura de escola-empresa, onde o aluno é o seu “cliente” e alvo dos lucros e crescimento desta empresa. Por isso mesmo, criam estratégias de marketing para atrair novos consumidores e divulgam que sua qualidade que está condicionada ao número de aprovados nesses exames.

          Desta forma adotaram uma metodologia de adestramento e “bizus”, ensinando o que chamamos de “jogo de cintura” para que o aluno possa responder as questões propostas pelo teste utilizando inúmeros artifícios, enquanto que a essência do ensino fica para segundo plano.

          É muito comum vermos candidatos às universidades com fórmulas decoradas, regras mnemônicas e “chutes” calculados, prontos para responderem qualquer questão dessa avaliação, mas se forem expostos a alguns quesitos que sejam necessários maior raciocínio, ou pôr a prova sua destreza: veremos que os resultados serão desastrosos.

          Infelizmente, é isso que acontece quando ingressam na universidade, cuja metodologia gira em torno de ensino, extensão e pesquisa, ou seja, o uso real e efetivo do pensamento e da razão, que deveria levar os graduandos a formarem conhecimentos próprios.

          Segundo Pedro Demo, uma boa parte dos universitários que ingressam nas universidades se encontra completamente despreparados, muitos deles não sabem sequer se a escolha do curso foi realmente acertada, se graduação atenderia efetivamente às suas expectativas.

          Todos esses fatos geram uma verdadeira desilusão, em virtude da decepção do vislumbre utópico de um sonho irreal que a universidade seria o paraíso do saber na Terra. O que causa em muitos desmotivação, desinteresse e evasão das salas de aulas do ensino superior, principalmente nos cursos de ciências exatas.

          Desta maneira o presente projeto, objetiva sugerir uma solução efetiva ao problema, visto que este processo de inserção e adaptação deve ser bem conduzidos por ambos os lados, aluno e universidade, pois se houver falha neste sentido poderá trazer grandes prejuízos e sérias conseqüências na formação profissional do educando, transformando-o desta forma, em um profissional incompetente, medíocre ou um individuo dissociável.

          Tanto o aluno quanto a universidade não poderão desvincular-se desse processo, que é de extrema necessidade para o desenvolvimento acadêmico do graduando.

          A universidade, porque é a sua obrigação garantir uma formação de qualidade no ensino superior e o graduando porque o seu objetivo é se formar, transformando-se em um profissional de alta performance.

          Sugere-se então que as universidades criem uma estratégia pedagógica e inclusiva dotada de um bom planejamento com atividades diversificadas e direcionadas ao futuro acadêmico do graduando, procurando, inclusive, ter vistas ao seu aprimoramento e o desenvolvimento das capacidades e competências, elevando assim o nível de ensino e aprendizagem o que será de aproveitamento geral.

          Faz-se necessário um diagnóstico das necessidades prementes do aluno: perfazendo um desenho do cenário atual com levantamento dos pontos fortes e franquezas dos quais estes são portadores.

          Com base nesses dados, criar um plano de inclusão e nivelamento intelectual, com a finalidade de homogeneizar os padrões dos alunos, o que facilitaria a atuação do corpo docente neste processo.

          A implementação desse plano deve ser gradual, ostensiva e efetiva; e no final uma avaliação de resultados cujos dados estáticos poderão nortear a melhoria das técnicas e procedimentos pedagógicos utilizados no decorrer do programa.

          Não devemos esquecer que este processo deverá ser cíclico e permanente com avaliações constantes e correções quando se fizerem necessárias.

          Os métodos e técnicas adotados serão as observações, pesquisas na literatura e portais da Internet relacionados ao assunto e nas entrevistas individuais numa amostragem de alunos aprovados no vestibular de uma determinada escola.



Marcos Aurelio