quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

LEITURA, INTERPRETAÇÃO E CRÍTICA



Leitura

       
        Ler não é somente ver como quem enxerga um objeto  e a compreensão não é atributo único da leitura, é muito mais abrangente porque envolve a manifestação cognitiva dos cinco sentidos do ser humano, ou seja, nós temos a condição de diferençar quando uma formiga caminha por nossa pele de um toque de dedos chamando a nossa atenção; distinguir os sabores doce, azedo, amargo e salgado dos alimentos; reconhecer a diversidade e intensidade dos sons; saber com exatidão cada fragrância das emanações voláteis dos corpos, tudo isso causando-nos impressões diversas.

         A visão, considerada o mais importante dos sentidos do homem, consegue distinguir as cores, formatos, texturas, tamanho, profundidade, proximidades e imediações, tudo isso de forma tridimensional. A isso chamamos de reconhecimento, que se processa igualmente aos outros sentidos. No caso, o ato de ler abrange outros aspectos: percepção sensorial, reconhecimento, compreensão, decifração e cognição.

      Como sabemos a leitura é uma atividade intelectual, progressiva e não espontânea. Partindo do ponto zero, o que chamamos de tábula rasa, para se ensinar a ler deve-se institucionalizar uma criança na sua segunda fase da infância para que com a orientação especializada e o contato social com outras de idade aproximada, possa com mais eficácia ter os primeiros contatos com as estruturas que construirão o hábito de ler.



      Segundo o INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, órgão ligado ao Ministério da Educação: a infância se divide em três fases: a primeira que vai de zero aos três anos, quando na formação da primeira dentição; a segunda dos três aos sete anos com a segunda dentição e a terceira terminando com o aparecimento da puberdade sendo que com as meninas aos doze anos e os meninos ao quatorze anos, aproximadamente.


       Embora que muitos pais introduzam seus filhos na escola a partir da segunda metade da primeira infância, é a fase seguinte mais adequada para os primeiros contatos com os elementos cognitivos da leitura: é quando se passa a conhecer as primeiras letras e seus fonemas, o elo da ligação visual gráfica e ao som que ele representa fazendo a correlação com seu vocabulário adquirido, auxiliado por imagens conhecidas do seu cotidiano: animais, plantas, objetos, etc.


       Com a continuação dos estudos o passo seguinte são as combinações grafemáticas formando as sílabas e monossílabos, dando-lhes o sentido e associando-os com temas mais complexos, porem de fácil alcance; então continuando até a formação das palavras, cuja ordem das seqüências inteligíveis formará as frases e períodos, que por sua vez em coleção construirá os textos. Sempre de forma seqüencial, crescente e sistematicamente progressiva. Esses textos existem para exprimir as idéias de seus autores, pois a escrita é a forma de representar graficamente o som. Como o som se perde ao vento, surgiu desde cedo à necessidade do homem em registrar os ditos tanto das celebridades quanto dos entes humildes e apagados na estrutura social.




      O encadeamento dessas idéias escritas edifica uma nova estrutura textual de compreensão e assimilação, função basilar das obras literárias de qualquer assunto: o contexto. Contextualizar significa conceber o texto como um todo, arquitetar a ordem e o sentido do pensamento de forma que a composição possa ter uma função de impressionar nossa percepção organoléptica e emocional, é a constituição da expressão pessoal do autor em mensagens expostas do que é concreto ou abstrato que lhe sai do intimo criativo e dissertivo.



        O hipertexto é um sistema mais complexo, pois consiste em uma maneira de apresentar e de organizar vários escritos ao mesmo tempo, formando blocos de textos articulados e interligados em conexões diversas e associativas, entretanto numa única linha de estrutura de pensamento ou idéia. 
Importante observar que as articulações do hipertexto seguem uma direção lógica e precisa que dependendo da riqueza de informações que se quer apresentar pode ter característica multidisciplinar.




Interpretação


       Quando se fala em simplesmente ler, entende-se que seja a decifração daquilo que está escrito apenas. Isso acontece porque existem pessoas que lêem de forma corrida, compreensível aos ouvintes, no entanto não sabem o que está lendo, ou seja, recitam a escrita, mas não entendem o seu contexto.


       São os chamados leitores precários e desqualificados que se ocupam em declamar os escritos para outras pessoas, como é o caso de diversos pregadores que encontramos não raramente em praças públicas recitando passagens bíblicas; vendedores ambulantes que lêem propagandas de medicamentos na venda de remédios avulsos; candidatos políticos, especialmente na zona rural, com seus discursos pré-escritos e mal elaborados, etc. Embora leiam corretamente em virtude de um treinamento, dificilmente sabem o significado dos vocábulos ali presentes porque são pouco usuais, portanto nota-se claramente a inexistência da compreensão lexical.  

         A interpretação propriamente dita é um plano diferenciado da leitura cognitiva, quem a adquiriu pode ser é considerado como um leitor qualificado, pois alem de decifrar palavra por palavra ele entende o significado da mensagem que o texto tenta exprimir.
     Muitos se enganam por achar que interpretar é uma atividade simples e directiva com apenas uma linha reguladora que traça e leva a termo um plano de ação decifratório, no entanto tornar suficientemente claro o sentido das palavras, frases e textos abrange muitos elementos e sob diferentes aspectos.

      Na Língua Portuguesa, por exemplo, a posição de um sinal de pontuação modifica completamente o sentido de uma frase; uma palavra que tem inúmeros significados pode confundir o leitor e deturpar a mensagem que o autor quer transmitir, especialmente se este vocábulo estiver associado a gírias e expressões idiomáticas; expressões anfibológicas: construídas com ambigüidade de sentido, quem ler perde a referência do escrito; os pídgins pertencentes a determinadas profissões muitas vezes formam um dialeto a parte e restrito, como nos casos da linguagem dos profissionais da informática, médicos, advogados, etc.



Observemos as seguintes frases:


a)     Quem canta seus males espanta!
b)     Quem canta seus males, espanta!
c)      Ela tem um comportamento legal.
d)     Ia pela estrada o menino, o bezerrinho e a sua mãe.
e)    O paciente está acometido de cefaléia de etiologia edemática.

      Nos exemplos A e B: podemos observar que apenas uma vírgula modificou completamente o sentido da expressão. No exemplo C o termo “legal” pode se referir: de acordo com a lei ou simpatia. Na frase D: o termo “mãe” estaria relacionado ao menino ou ao bezerrinho? E por fim, a última expressão é carregada de termos médicos de difícil acesso aos leigos.


       Conclui-se, então, que para interpretar bem um escrito se faz necessário um conhecimento amplo, apurado e multidisciplinar, em suma: quanto maior o vocabulário lexical que uma pessoa detém, mais fácil e maior será a capacidade de compreensão literária do indivíduo. Por isso é que denominamos de leitor qualificado.



Crítica


      Epistemologicamente falando, criticar é uma faculdade do ser humano em conjecturar, analisar, apreciar e exercer julgamento de uma determinada matéria ou assunto, emitindo posteriormente uma opinião pessoal sobre as impressões apuradas.


       
            Em termos filosóficos, crítica é uma atitude que consiste em separar o que é verdadeiro do que é falso; o que é legítimo do que é ilegítimo; o que é certo do que é verossímil.
         A crítica é comum a todas as pessoas, pois se trata de uma das mais fortes expressões da cognição humana. A partir do momento em que se vê, escuta ou sente-se algo, imediatamente o nosso senso de juízo delibera pareceres sobre o ocorrido a partir das reações psicológicas trazidas por essas sensações, o próximo estímulo é verbalizar e socializar essas idéias formadas.

       Por exemplo, quando lemos uma obra literária, ela pode ser agradável ou não ao nosso emocional. Instantaneamente construímos um conceito sobre essa obra e criamos uma opinião: ela é boa ou ela é ruim. Isto é uma crítica.


      Como a criticidade envolve fatores psicocognitivos muito pessoais: experiência de vida, conhecimento multidisciplinar, gostos, etc. existe dessa forma neste conceito uma grande subjetividade, ou seja, o que pode ser ótimo para um crítico, pode ser péssimo para outro.
Há pessoas que criticam por criticar, emitem suas opiniões de forma leviana e irresponsável, e o pior, se acha detentoras da verdade absoluta. Tudo isso fruto da própria mediocridade conceitual oriunda da falta de informações produtivas que poderiam enriquecer esses pareceres.
    
       A crítica não tem de ser necessariamente negativa ou contrária a tese formulada, ela pode ser concordante desde que os argumentos apresentados sejam firmados e consonantes com a verdade apresentada.

      Outro parâmetro sobre o critério crítico reside em dois aspectos fundamentais: a análise que é a decomposição do texto em partes, examinando com minúcia as relações existentes entre elas e determinando a conformidade da organização textual, e a síntese que é a reunião dos elementos da construção do escrito em sumário, destacando seus pontos essenciais e obedecendo a seqüência lógica da idéia que o autor possa expressar.     

      Portanto, no caso da leitura, ler e interpretar não são ações suficientes para ampliar os conhecimentos; certamente poderemos dilatar o nicho das informações pessoais, mas sem o senso crítico o leitor poderá lançar uma opinião que não esteja embasada de bons argumentos, embora possa pareçer verdadeira e dotada de certa lógica, mas poderá incorrer no risco da formação de um preconceito.




      Os sofismas são armadilhas que muitos caem por não saberem julgar criteriosamente o caráter do espírito representativo de uma premissa, principalmente quando esta desvirtua a exatidão de uma realidade, transformando-se em dogmatismo.


    Deduzimos então, que a crítica para ser excelente, bem construída, coerente e bem fundamentada, a ponto de formar opiniões, exercer domínio sobre o tema e abrilhantar a matéria, demandará, naturalmente, uma boa bagagem de conhecimento interdisciplinar por parte do crítico, que deverá estar aberto para discutir racionalmente essas idéias; possuir humildade pedagógica a ponto de mudar de opinião, quando for o caso; ter coragem para se expor e também de ser criticado. 

domingo, 31 de outubro de 2010

LEITURA E O MECANISMO COGNITIVO

          Quando falamos em processos cognitivos o complexo humano apresenta uma infinidade de estruturas e elementos capazes de realizar funções mentais diversas, segundo a necessidade que se lhe apresenta. Algumas são puramente instintivas e são ativadas quando existe uma exigência orgânica em face de algum desequilíbrio a ser suprido, como é o caso da fome, sede, dor, etc. Outras se desenvolvem espontaneamente, principalmente quando o indivíduo está inserido no meio social e absorve por osmose algumas atividades dos seus semelhantes próximos; a faculdade da fala é um bom exemplo dessa espontaneidade, a criança aprende a falar interagindo verbalmente com os pais e irmãos mais velhos e amplia seu vocabulário na escola com os outros alunos de classe. Evidentemente que este processo se torna truncado quando se trata de deficientes auditivos e alguns deficientes mentais.
         
          No caso da leitura o aprendizado é invito, o tirocínio, isto é, a prática inicial dessa atividade, não acontece de livre determinação, é necessário que haja uma condução sistemática e na maioria das vezes institucionalizada através de um programa metódico com o objetivo de preparar para esta atividade. O ato de ler exige um trabalho árduo, longo, forçoso, ordenado e progressivo.

          Importante observar que sem a compreensão não há leitura, existe apenas a percepção sensorial.
 
         Nesse tópico vamos analisar a leitura e os principais processos inerentes a esta atividade. Como vimos anteriormente o ato de ler envolve uma série de fatores que interagem entre si formando a mecânica cognitiva. Para melhor compreensão desta matéria vamos apresentar um modelo didático do caminhamento das informações desde a apreensão sensorial até o arquivamento efetivo nas áreas superiores da memória.
 
          A porta de entrada das informações do mundo exterior para a mente ocorre ao nível dos órgãos sensoriais, no caso da leitura escrita essa entrada pode ocorrer de duas formas: através da visão, a mais comum; e através do tato digital, geralmente utilizado por pessoas com alguma deficiência visual.
 
          A captura das imagens ou a percepção tátil de um escrito acontece analogamente como em qualquer objeto, o órgão sensorial recebe as impressões conforme sua função específica e a transcodifica em impulsos nervosos que são levados ao cérebro, por intermédio do arco-reflexo neural, numa cadeia de neurônios exclusiva para essa finalidade.
 
          Ao chegar à área especifica do cérebro que lida com o tratamento dessas informações, inicia-se, então, o processo mental cognitivo de processamento do núcleo da leitura como representação léxico-mental que partem dos níveis visual-ortográfico, passando pelo semântico-interpretativo, gerando a compreensibilidade e por fim o arquivamento erudito.
 
          O primeiro nível desse processo é denominado de memória seccional ou memória volátil, neste ambiente as informações são assimiladas por um curto período de tempo em virtude de que sua principal função é de armazenar e repassar imediatamente aquilo que é captado pelos órgãos sensores.
 
          Nesse estagio abrigamos os dados de ilação imediata, que são processados em forma de “pacotes” de informação enviados para o nível imediatamente superior, sem a preocupação de análise ou interpretação do que está recebendo.
 
          Essa memória, dependendo da eficiência do leitor, faz o reconhecimento dos dados inicias e secciona-os, ou seja, letra por letra, silaba por silaba, palavra por palavra ou mesmo por blocos de palavras como no caso da leitura dinâmica. Sendo que a média de armazenagem é de quatro unidades significativas: letra, silaba ou palavra.
 
          Exemplificado a dinâmica dessa memória vamos verificar uma situação hipotética: um indivíduo que só consegue ler as palavras letra a letra, este terá grande dificuldade em decifrar palavras maiores como paralelepípedo, cuja leitura se dará da seguinte forma p-a-r-a-l-e-l-e-p-í-p-e-d-o, quando se estiver lendo l-e-p-í, já estará esquecido o começo da palavra, pois estas letras estão colocadas entre a sétima e a décima unidades significativas, ficando as primeiras sem sentido para os níveis superiores, conseqüentemente não conseguirá lê-la. O mesmo acontece nos outros casos sendo um pouco mais complexo, isso porquê os mecanismos que formam o reconhecimento das frases se encontram débeis e o encadeamento processual é rompido eliminando assim o exercício da leitura.
 
         Comparativamente são os editores de textos atuais dos computadores, na medida em que o usuário vai construindo o texto a interface inicial apenas interage teclado e monitor (memória seccional), em seguida quando já se tem um grupo de palavras ou ao passar certo intervalo de tempo, o próprio programa do editor lança os dados numa memória mais perene (níveis superiores da memória), evitando assim a perca de dados por uma falha acidental ou por falta de energia elétrica.
 
 
          O próximo nível é denominado de memória intermediária que é o elemento de ligação entre a memória seccional e a memória semântica. Nesta área cognitiva estão as informações mais recentes e usuais, ou seja, o repositório do nosso vocabulário usado no dia-a-dia, portanto, é o local onde se dá a compreensão imediata dos dados recém chegados, pois lá existe uma série de elementos comparativos que darão o sentido e decifração ao que se está lendo.
 
          Quando a compreensibilidade acontece de forma precária, essa memória trava obrigando o leitor a parar e reler o texto escrito, se isso acontece mais vezes surge a partir daí uma reação de repulsa mental induzindo o indivíduo a abandonar a leitura. É por isso que o exercício de ler requer perseverança e treinamento constante, caso contrário, como somos compelidos a agir pelo menor esforço, certamente, desistiremos deste hábito tão salutar.
 
          Um ponto positivo da memória intermediária é a capacidade de inferência, isto é, a capacidade de dedução ou “adivinhação’’ do que se está lendo; quando o leitor é hábil ele não precisa ler a palavra completa para compreendê-la semanticamente, ou seja, sua relação de significação no sentido enunciado. Para isso as primeiras e ultimas letras já são suficientes.
 
          Em níveis mais elevados de leitura a inferência permite que se decifrem blocos de frases inteiros sem afetar a percepção e de tal forma que a compreensão seja satisfatória do conteúdo escrito: é o que acontece na leitura dinâmica.
 
          Com a finalidade de observar melhor a ação da inferência no mecanismo cognitivo, vamos nos valer dos anagramas alfanuméricos da ilustração a seguir onde letras e números estão misturados de forma proposital e não aleatória.
 
          Para melhor visualização do conteúdo da ilustração 01 e obtermos um resultado a contento do que queremos provar, permitimo-nos sair do padrão de formatação oficial, ou seja, utilizamos fonte, tamanho da fonte, recuo, espaçamento e alinhamento diferentes da estabelecidas pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas.

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3M D14 D3 V3R40, 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 7R484LH4V4M MU170 C0N57RU1ND0 UM C4573L0 D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45 3 P4554G3NS 1N73RN45. QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U 7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4.
 
4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1ND0 D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0. C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40;
 
G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N57RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R! S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0.
 
0 R3570 3 F3170 D3 4R314

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Ilustração 01 - Fonte:
Blog Pelotas Vip
 
          A primeira reação quando vemos esse quadro é de procurar ler as unidades significativas uma a uma, ou seja, as letras e os números individualmente, o que naturalmente não trará nenhum sentido. Inicia-se então a ativação da memória seccional que não conseguirá formar os “pacotes” de informação de forma lógica para o nível superior, pois, percebemos apenas caracteres alfanuméricos misturados e sem cabimento seja lexical ou textual.
 
          Com um pouco mais de cuidado e rapidez, passamos a compreender que existe uma mensagem implícita nesse texto, e com o percorrer mais rápido da vista fica ainda mais fácil decifrar o que está escrito, até que a partir da segunda linha o escrito se revela mais claro e a leitura está inteiramente proveitosa.
 
          É isso que acontece por ação da memória intermediária; uma vez repleta de elementos comparativos com dados de uso freqüente, imediatamente faz as correlações das possibilidades do anagrama dando-lhe um sentido lógico formulando as palavras e frases resultando na coerência ao texto.
 
          A experiência pessoal com alguns indivíduos do nosso convívio particular, quando mostrado esse texto, de maneira empírica e sem a intenção de formular dados estatísticos ou qualquer princípio de levantamento cientifico, nos revelou algumas observações interessantes:
 
  • Um leitor mediano apresenta maior dificuldade de perceber a formulação textual do que um leitor hábil; 
  • A percepção inicial dos anagramas em palavras, em todos os casos, demandou certo período de tempo conforme a habilidade individual. Isso acontece em virtude de que os leitores ainda estavam presos aos padrões sintáticos da língua portuguesa;
  • Com a compreensão já efetivada associada à velocidade com que os olhos percorrem as linhas, o leitor tem a ilusão de ótica que não existem números, apenas letras formando as palavras.
 
          Outro aspecto interessante é a solução de palavras cruzadas: primeiramente o indivíduo tem um guia ou uma pista que é a deixa para se achar o vocábulo incógnito, em seguida a quantidade de letras representada por quadrinhos e por fim as letras comuns de duas ou mais palavras que se cruzam. Com a inferência a solução se dá de maneira automática, sem precisar na maioria das vezes ler o guia para se descobrir o vocábulo oculto
 
          Uma faceta a ser observada, reside no fato de que a memória intermediaria não apenas realiza comparações lexicais, mas também em formas, cores, objetos, texturas e tudo mais relativo às imagens. Isso muitas vezes provoca algumas impressões: determinadas fontes, por exemplo, podem causar determinada Influência que pode repercutir no ânimo ou no humor do leitor, isto é, têm a condição de dar a impressão de medo, de brincadeira, de seriedade, de alento, de romantismo, etc., por essa razão os especialistas em marketing quando querem causar algum efeito em suas propagandas, dependendo da finalidade específica, escolhem uma fonte gráfica adequada em forma, textura e cor de modo que possa chamar a atenção do espectador e despertar-lhe atenção em seus objetivos.
 
          A indução ocorre quando a memória intermediaria é estimulada; correlaciona a imagem escrita com o acervo de informações prévias e induz o sujeito a uma reação psicológica equivalente ao estímulo efetuado, gerando assim uma reação emocional por obtenção desse processo.
 
          O último estágio cognitivo é denominado de memória profunda, memória semântica ou memória longo termo. Esta área é responsável pelo arquivamento, organização e regramento das informações obtidas e processadas pela memória intermediária, em uma palavra: a erudição, isto é a instrução vasta e variada, adquirida, sobretudo pela leitura.
 
         O real funcionamento da memória semântica como um todo e os processos envolvidos é motivo ainda de estudos exaustivos, a compreensão e a constatação das aplicações que encerram as ações dessa área cerebral é alvo de inúmeras teorias, pois muitas de suas atividades representam um enigma para a ciência. Mesmo assim com o pouco que se sabe, é fascinante vislumbrar todos esses processos que refletem a inteligência, habilidades e competências do ser humano.
 
          Dotada de três incumbências essenciais, a memória semântica tem como primeiro papel organizar todas as informações que a ela chegam, fazendo uma triagem complexa, formando diversas seqüências associativas, conforme seu interesse e a capacidade de ordenação, esse fenômeno entra em consonância com o grau intelectual do indivíduo, ou seja, um homem letrado tem maior condição de seqüenciar informações nessa memória gerando uma leitura e assimilação proficiente, já o mediano sente-se confuso por falta de elementos instrucionais suficientes para uma boa decifração.
 
          Esse trabalho é semelhante ao de um bibliotecário virtual que tem em seu poder uma vasta e heterogênea coleção literária de informes; com a habilidade de triar, arquivar, formar e desenvolver um diretório, realizar buscas quando solicitadas e traçar hipertextos para relação mútua entre dois ou mais termos.
 
          O arquivamento é seletivo e personalizado, cada pessoa tem seu próprio esquema de resguardar as informações com características próprias em seus aspectos: visual, olfativo, tátil, palatal, emocional, instrutivo, etc. de tal forma que esse acervo pode datar dos acontecimentos da vida intra-uterina, alem de ter uma continência incalculável.
 
          O regramento é outra característica importante. Essa memória tem como predicado estabelecer a regência do fluxo das informações: os dados que entram como serão processados e armazenados; e os que saem como correlacioná-los com outras ações cognitivas e resultar em um determinado efeito.
 
          A leitura de um romance, por exemplo, pode levar o leitor a sentir diversas emoções: tristeza, alegria, graça, raiva, etc. dependendo de como o autor narra seu escrito. Mesmo se tratando de uma ficção as reações emotivas eclodem em virtude do processo de interação correlacionado através da memória semântica com os conhecimentos e experiências vividas pelo sujeito e de que forma as lembranças parciais ou efetivas vão influenciar no caminhamento dessa leitura, induzindo as fantasias e devaneios.
 
          O conhecimento técnico é ampliado também nessa memória. Iniciando por noções elementares que vão se somando a outros dados à medida que novas informações vão sendo adquiridas. A memória semântica seqüencia, relaciona e dá sentido a esse conhecimento, provendo-o de elementos cognitivos capazes de fornecer o reconhecimento imediato de sua aplicação dentro de um determinado contexto.
 
          Em suma, para nossa fixação da mecânica cognitiva da leitura apresentamos o seguinte esquema na ilustração 02:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fluxo do impulso nervoso e das informações.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

LEITURA E ESCRITA: IMPORTÂNCIA EM NOSSAS VIDAS



       O processo do desenvolvimento da leitura está intrinsecamente associado ao da escrita, um não existe sem o outro, pois ambos têm sua origem na evolução natural do homem e seu progresso intelectual, cognitivo, psicológico e biológico. Haja vista que esses fatores se interagem de tal forma que resultará na formação do homem integral, ou seja, para que possa existir a manifestação das criatividades e das habilidades de forma efetiva e eficaz, o psicológico tem a primeira ação que é a identificação da necessidade, isso faz com que haja também o primeiro impulso de suprir o que lhe falta para lhe trazer o equilíbrio esperado. O fator cognitivo é a segunda estância onde o indivíduo vai buscar seus conhecimentos, experiências e informações antecedentes dele próprio e de outros indivíduos que comungam a mesma vida social repassados por condições semelhantes; o intelecto vem a seguir buscando ações mais diretas para a realização dos procedimentos que irão satisfazer a necessidade premente. Por fim vem o biológico, onde se origina as necessidades essenciais ativando os demais complexos fazendo o sistema encadeado funcionar.

Esse é um processo cíclico e interminável, pois a condição humana sempre dispõe de novas necessidades a serem supridas.



Tais necessidades e suas abrangências são também a causa principal do desenvolvimento da humanidade, em todos os fatores acima descritos, inclusive no aspecto tecnológico que retrata os resultados primordiais desse progresso; não é possível admitir que um homem com a inteligência atual, tenha seu corpo físico encerrado numa estrutura semelhante ao Homo Neanderthalensis, pois sua estrutura física e neural não comportaria a complexidade do sistema orgânico e mental assim como suas atribuições na manutenção da vida e na manifestação das faculdades.




Por isso que a leitura e a escrita demandam inúmeras atividades coordenadas pelo cérebro, ativando diversas áreas neurais, como também aciona diversos níveis de memória e graus de consciência para que esse processo de decodificação e compreensão tenha seu devido êxito.












O desenvolvimento da leitura e da escrita tem seu paralelo com a marcha evolutiva do ser humano e suas transformações (evoluções) naturais, em virtude das variações ambientais que estamos sendo constantemente submetidos, mas dotados com a capacidade de adaptação e harmonização com as condições que nos são apresentadas pela própria natureza.

O instinto humano, como possível defesa dessas adversidades e em favor da perpetuação da espécie, tem como uma de suas principais características a comunicabilidade, ou seja, a expressividade dos pensamentos revelados através de sons, gestos e trejeitos corporais, com a finalidade de transmitir aos seus semelhantes as informações do seu estado atual, de suas necessidades, do seu conhecimento e experiências oriundas do legado ancestral.


Esse mesmo instinto compele a participação dos dados relativos aos acontecimentos, habilidades, perícias e práticas adquiridas com o exercício constante dos afazeres dia-a-dia, como também uma descrição virtual imaginativa dos sonhos, ficções, fantasias e idéias existentes dentro da complexidade de um ser.


O tetraedro formado pelos fatores: intelectualidade, cognição, psicologia e antropologia, associados a esse instinto, além capacidade criativa, incitou a inevitável construção de uma maneira de gravar de forma efetiva e se possível duradora essas informações; de forma que aqueles que comungam esse conhecimento possam, a qualquer tempo, rever e relembrar o que está ali gravado. 


A escrita e a leitura resolvem dessa forma esse dilema. O qual foi absorvido muito bem aceito em todos os povos, em todos os tempos e em todas as situações.


Nos dias atuais, a leitura ainda é objeto de muito estudo nas ciências humanas, exatas e da saúde; teorizada e explicada por muitos estudiosos que buscam uma melhor forma de alcançar a eficácia na interpretação e compreensão dos textos escritos, alem de tentar unificar os padrões semânticos, ortográficos, gramaticais e lingüísticos, formado uma linguagem única para ser compreendida entre todas as nações. Como é o caso do Esperanto, (Dicionário do Aurélio, 1999): ”Língua auxiliar de comunicação internacional, elaborada pelo médico judeu-polonês Ludwig Lazar Zamenhof (1859-1917) e por ele divulgada em 1887”.


O ato de ler deve ser um instante de interação e comunicação indireta entre o leitor e o escritor por meio de seu trabalho textual; trata-se de uma busca cognitiva que desperta muitas habilidades e põe em funcionamento diversas áreas cerebrais forçando este maravilhoso órgão ao exercício mais intenso de suas atividades num processo de neuróbica, exercício mental, salutar, afastando o homem de possíveis males que afetam a memória e o raciocínio, não somente na idade avançada, mas também na tenra juventude, como nos mostra a experiência cotidiana de educadores.


A leitura nos coloca diante de inúmeras informações básicas, gerais e especificas; nos leva ao mundo mágico da imaginação; faz-nos conhecer muitas terras, muitos povos e muitos ambientes: fauna, flora, relevos, etc.; leva-nos a viajar por recantos distantes e inóspitos do universo sem fim; melhora nossa dicção; enriquece nosso vocabulário; altera a sistematização de nosso pensamento, tornando-o mais ordenado, metódico e coerente: dá-nos uma melhor compreensão das obras escritas, e por fim, auxilia nossa criatividade na elaboração de textos e produção de trabalhos literários, científicos ou artísticos.


Com todas estas vantagens a leitura deveria ser uma atividade agradável e até mesmo prazerosa para todas as pessoas, principalmente entre o alunato, haja vista que a leitura é um fator decisivo para o estudo. No entanto o que se nota é que ela se torna num instante de tortura, fator de punição, pesquisas burocráticas e sem objetivos maiores de aprendizagem; buscas textuais de palavras para exemplos de ortografia e gramática sem levar em conta a interpretação, compreensão e aplicabilidade do escrito como um todo; apenas para passar o tempo ou obtenção de notas evitando assim a reprovação do ano letivo.

Vejam nesse clip a realidade de algumas escolas:







Teróricos nos alertam que alguns professores, especialmente na rede pública, perderam no decorrer do tempo de magistério o costume de ler, em geral entram em processo de acomodação e apenas rememora ano após ano o mesmo conteúdo programático das primeiras aulas do início de suas carreiras. Dificilmente, tais docentes procuram fazer reciclagens, cursos de aprimoramento ou de extensão que lhe serviria de crescimento individual, resgatando sua auto-estima o que lhe faria sentir-se plenamente realizado profissionalmente.

Como se isso não bastasse, tal desatino é repassado para seus alunos, que na sua vida escolar não lhes é ensinado a ler, não existe motivação para sentir o conteúdo de obras literárias, muito menos a valorizar a importância da leitura em nossa vida, tanto cotidiana quanto acadêmica.


Quando a grade curricular exige, tais profissionais do ensino escolhem para seus estudantes e iniciantes obras complexas e com conteúdo pouco acessível à linguagem popular usual, tornando assim essa leitura enfadonha, incompreensível e desmotivadora, provocando uma espécie de trauma, similar a uma agressão emocional capaz de desencadear perturbações psíquicas que tornará as futuras leituras, desde já, uma ação de repugnância e completa aversão aos livros.


ATENÇÃO - Nossa intenção nesta matéria não é fazer uma observação crítica da depreciação coletiva de nosso povo em relação à leitura, ou apontar os defeitos dos colegas de ensino que não mostram o interesse devido ao estudo sistematizado, muito menos levantar a espada da verdade e sai com a solução mágica dos problemas culturais de nosso país tão arraigados desde surgimento do Brasil como nação soberana.





A nossa finalidade é fazer um compêndio discreto sobre a leitura, sua estrutura e seu desenvolvimento cognitivo, buscando no seu histórico os elementos iniciais de desenhos representativos ainda toscos, até as fixações gráficas complexas da linguagem, as quais concretizaram o adiantamento alcançado pela humanidade nos dias atuais.



Mostrando que o ato de ler é um processo crescente tanto nos fatores que levam a plena compreensão e decodificação dos signos que formam as sentenças textuais, quanto na maturidade alcançada no uso do sistema nervoso central e as regiões cerebrais por eles ativadas, substituindo os sinais semiológicos por elementos lexicais de seqüência lógica primária até aos níveis mais elevados da leitura profícua.




Por fim, abrimos um espaço para discussões, troca de idéias e de experiências. A última palavra sobre esse tema possivelmente jamais será pronunciada, pois da mesma forma que o homem não conhece quando se iniciou o processo de leitura e escrita, não se vislumbra o dia que este perderá seu mérito na comunicação humana.



sábado, 31 de julho de 2010

LEITURA E ESCRITA: Alguns Aspectos Históricos



         
          Como sabemos a história como ciência é dividida em duas partes: a pré-história e a história da humanidade, o marco decisivo dessa divisão reside exatamente no aparecimento da escrita a mais ou menos quatro mil anos antes de cristo, pois a história como ciência só pode ser versada através de provas documentais de registros palpáveis e irrefutáveis portadores de informações necessárias de maneira a compor, analisar e construir os acontecimentos de uma determinada época, e o que esses acontecimentos refletirão na vida futura de um povo.

         Inúmeros casos mostram a possibilidade de um determinado episódio que no passado tenha sido considerado de pouca importância, se transformar em fator de peso nos acontecimentos vultosos do futuro.



          Quem poderia imaginar, por exemplo, que o banho de tina de Arquimedes no século III a.C., fosse o arremesso inicial que formulou o postulado da grandeza física dos princípios da hidrostática, o empuxo arquimediano: responsável por cálculos que possibilitam o fato de um navio de várias toneladas flutuar no oceano, ou mesmo, que o referida ocorrência tenha sido o primeiro caso registrado, conhecido e desvendado da Ciência Forense: onde Arquimedes provou que a coroa encomendada pelo rei Hierão de Siracusa estaria com sua estrutura química adulterada?

           




  
          Todos esses feitos tinham suas transcrições nas tecnologias disponíveis em suas épocas: narrativas, litografia, gravuras rupestres, pergaminhos, papiros, etc. que até hoje serve como base cientifica na estruturação e formulação da história da humanidade tal qual nós a conhecemos.

         No entanto, não se sabe ao certo onde e como iniciou o processo da leitura e da escrita, o que se sabe é que desde o tempo em que os homens ainda habitavam as cavernas já existia uma necessidade da transmitir informações daquilo que eles consideravam importante, seja para os membros de uma determinada coletividade como também para os estrangeiros, pacíficos ou não: aviso de perigo ou de lugares perigosos; marcar território ou restringir o acesso a determinadas áreas com o uso de penduricalhos em estacas de madeira; adornos informativos de líderes religiosos, políticos ou militares; acontecimentos da vida comum dos agrupamentos; feitos heróicos de caçadas e batalhas, e assim por diante.


          A maior prova disso reside nos desenhos e pinturas arqueológicas, os petróglifos, achados em diversas partes do planeta, onde mostra claramente o instinto peculiar do homem em propagar suas manifestações cognitivas através de símbolos, que, mesmo distantes geograficamente, em diferentes culturas, povos e raças, esses traçados tinham os mesmos objetivos, semelhanças estruturais pictográficas e litográficas, sem que tivesse a possibilidade de repasse desses conhecimentos entre eles.

         Mas, qual o motivo desse comportamento? Por que um determinado indivíduo pegou tintas e rabiscou estes desenhos ou talhos em rochas? Qual a sua intenção? Qual a importância pessoal atribuída para aquela atitude?

A resposta é simples: “o homem tem como diferença essencial dos outros animais a característica única de transmitir aos seus sucessores todo ou parte dos seus conhecimentos e experiências adquiridas durante sua existência”.

          Ou seja, alem do comportamento de observar e planejar, o ser humano é capaz de repassar e assimilar os aprendizados cotidianos, desde que haja interesse ou necessidade para tal.

 

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          Outra característica humana é a adaptação as diversas condições ambientais, favoráveis ou não, o qual ele está submetido. Tais condições geram necessidades e conforme diz o dito popular: “a necessidade é a mãe da invenção”, ou seja, a satisfação das exigências vitais, como alimento, abrigo, agasalho, etc. obrigam o ser humano a procurar e processar materiais e ferramentas no intuito de facilitar seus trabalhos num processo criativo e dinâmico de forma a suprir as premências que se apresentam.

          Desta forma se juntar essas duas características: a inventividade e o instinto natural de transmitir de informações, teremos a maneira adquirida por meio de traços, sinais, caracteres ou símbolos um modo capaz de registrar os frutos das vivências, observações e habilidades desenvolvidas de forma perceptiva para que se possa decifrar e interpretar o sentido do que se apresenta, ou seja, realizar uma leitura.

           Com o desenvolvimento intelectual do ser humano as formas da leitura tornaram-se mais sofisticadas e esses sinais começaram a ter uma representação uniforme e mais abrangente até que surgiu a escrita coordenada.

Pedra de Roseta - Hieróglifos
         Segundo os historiadores a origem da escrita como forma efetiva de comunicação e registro, ocorreu por volta de 3200 a.C., com os povos sumerianos que habitavam a região da mesopotâmia. Eles desenvolveram a escrita cuneiforme, isto é, os caracteres gráficos tinham o formato de figuras cônicas. Em seguida os egípcios criaram os hieróglifos: sinais sagrados; e posteriormente, ainda no antigo Egito, a escrita hierática: escritos sacerdotais e demóticos.

       

          Para esses povos as razões principais que motivaram o aparecimento e o desenvolvimento da escrita foram às necessidades de se contabilizar produtos comercializados, cálculos geométricos de estruturas, registros de cultos e rituais sagrados, homenagens as personalidades e líderes religiosos e políticos, resguardar códigos de leis e costumes de um povo.

        O código de Hamurabi (1738 a.C.), por exemplo, é um dos mais antigos e importantes documentos escritos da história da humanidade, seu conteúdo regia o comportamento social de uma nação, traçando leis e punições aos infratores e que serve de base para muitos sistemas legais modernos.

         



         A Torá, que significa instrução, apontamento ou lei, é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah: as cinco partes da Torá) ou o Pentateuco, que fazem parte dos textos fundamentais do judaísmo. Neles está contida a primeira teoria da criação do mundo e do universo; a origem do homem e o crescimento da humanidade, a narrativa sobre o dilúvio e a nova repovoação da terra; o pacto de Deus com Abraão e seus filhos, a origem do povo árabe; a libertação dos filhos de Israel do Egito e sua peregrinação de quarenta anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e leis morais e civis que teriam sido dadas a Moisés para que entregasse e ensinasse ao povo Hebreu, e ainda hoje é aceita na maioria das religiões de origem cristã. Portanto, compreende outro importante documento do patrimônio mundial.




       O aparecimento da escrita foi um acontecimento tão importante para o mundo, que o registro e a compreensão dos fatos registrados com base cientifica concreta deram origem a uma nova ciência: a História, e é por causa da “invenção” da escrita que a história é dividida em duas partes: antes da escrita - a pré-história e depois do aparecimento da escrita – a história da humanidade propriamente dita.

        A difusão da escrita ocorreu em diversos pontos do planeta, principalmente entre os povos mais adiantados tanto intelectualmente quanto tecnologicamente, mas constata-se que apesar das semelhanças de propósitos, a estruturação morfológica dos traçados gráficos representativos das palavras e expressões despontou com diferentes aspectos, e em alguns casos apresentam completa inexistência de pontos comuns poderiam conter uma correspondência lexical que ajudaria na compreensão lingüística para futuras traduções.





 
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O mundo inteiro se comunica e se entende



 

        

         Esse fenômeno se deve aos regionalismos e ao isolamento dos povos que geraram os diferentes idiomas, tipos de grafias e ideogramas grafemáticos, como é o caso das formas das letras latinas, árabes e chinesas. Em contrapartida as invasões e dominações entre nações difundiram e mesclaram os idiomas e dialetos que apresentaram posteriormente semelhanças entre si. A dominação e expansão romana geraram o surgimento das línguas neolatinas como o português, espanhol e francês.